
» SAÚDE DA PRÓSTRATA EXIGE CUIDADO ANTES E DEPOIS DOS 40
C om o passar dos anos, em qualquer consulta médica você vai começar a ser avisado da necessidade de prevenir o câncer da próstata, a glândula que fica logo abaixo da bexiga e que responde pela produção do sêmen. As estatísticas justificam a preocupação: só em 2008, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) prevê a ocorrência de 49,5 mil diagnósticos dessa doença no Brasil, o que equivale a 52 casos em cada grupo de 100 mil homens. A forma mais efetiva de prevenção é o rastreamento periódico de sinais de alterações malignas, da mesma maneira que a mulher faz em relação ao câncer de colo de útero e de mama.
Talvez a idéia de procurar um tumor com finalidade preventiva possa lhe parecer um tanto controversa, a princípio. Ocorre que os exames periódicos permitem detectar o câncer precocemente, em sua fase inicial, quando há mais chances de tratamento e cura, assinalam os urologistas. Por essa razão, a partir dos 45 anos, todo homem deve consultar anualmente um urologista para a realização do exame de próstata por toque retal e de testes laboratoriais, em particular a dosagem do antígeno prostático específico, o PSA.
Essa proteína se eleva na circulação sangüínea quando existem transformações malignas na glândula, embora também possa aumentar na presença de processos benignos, como inflamações e infecções da próstata, as chamadas prostatites. Para quem tem história desse tipo de câncer na família, o rastreamento da doença deve ser iniciado já aos 40 anos.
Evidentemente, a manutenção da saúde da glândula não se restringe à segunda metade da vida. Antes dos 40 anos, a adoção de um estilo de vida saudável faz muita diferença. A começar pela alimentação. Segundo os urologistas, a dieta ocidental favorece o desenvolvimento do câncer de próstata. A dica, portanto, é evitar o consumo de gordura animal e abusar dos vegetais, especialmente da soja e do tomate, que são ricos em compostos funcionais comprovadamente benéficos para prevenir alterações malignas nas células da glândula – o licopeno do tomate e os fitosteróides da soja. Falando em alimentação, também não dá para abrir mão do controle do peso, já que a obesidade está associada com os cânceres de próstata mais difíceis de tratar.
Outro hábito salutar para a saúde da próstata, acredite, é a atividade sexual regular. “Existem suposições de que, a exemplo do que ocorre no intestino, quando ele funciona de maneira irregular, a permanência de substâncias em constante transformação química em contato com o revestimento da glândula possa causar alterações celulares e, por conseguinte, o câncer”. Assim sendo, o esvaziamento constante da próstata evitaria a permanência prolongada do sêmen em seu interior, quebrando a atividade química desse material biológico com o interior da glândula. Por esse raciocínio, a prática sexual – segura, vale acrescentar – igualmente ajudaria a reduzir as chances de desenvolver o tumor.
Seu avô viveu 90 anos e nunca fez exame de próstata? Os tempos mudaram... ! ! !
Muitos homens ainda relutam em procurar o urologista, argumentando que seus antecessores nunca fizeram exame de próstata, viveram muitos anos e, até onde sabem, tiveram outras causas de morte. O que mudou para que surgissem tantos casos de câncer de próstata? Urologistas lembram que, na metade do século passado, havia um grande desconhecimento sobre as doenças da região genital, até mesmo entre os médicos. Além disso, era muito difícil consultar um especialista. Junte a esse quadro os padrões morais de então e, naturalmente, não se falava sobre o assunto em público, muito menos na tevê ou em revistas e jornais. Quando alguém morria em decorrência desse tipo de tumor, seguramente poucos ficavam sabendo.
O câncer de próstata, portanto, sempre existiu. Mas especialistas reconhecem que pode ter havido uma mudança na incidência da doença, proveniente da diferença entre os hábitos das antigas e das novas gerações de homens, a exemplo da alimentação e do uso indiscriminado de anabolizantes. Sozinho, porém, o atual estilo de vida não encerra a questão. “Mudou também a sociedade, assim como o acesso ao conhecimento e aos especialistas, tornando maior o número de diagnósticos precoces desse câncer”, observa o urologista. O tabu, se ainda existe, talvez esteja restrito ao exame da próstata por toque retal. “Mas isso é inversamente proporcional ao nível de escolaridade, de esclarecimento e da capacidade de discernimento da população masculina”.
Fonte:N.E.C./ L.F./ de :09/06/2008.
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