
»Ter cólicas menstruais é comum.
Sofrer com elas não.
A manifestação da cólica menstrual é quase tão comum quanto a própria menstruação. Essa dor incômoda pode dar as caras desde o primeiro ciclo menstrual (a menarca) até o último (a menopausa) por causa da ação das prostaglandinas, substâncias que provocam a contração do útero, facilitando a expulsão do sangue. A cólica, portanto, reflete apenas uma reação natural do organismo feminino, razão pela qual está presente em metade das mulheres em idade fértil.
Assim como o fluxo menstrual, a intensidade e a freqüência dessa reação variam muito de mulher para mulher. Mas existe uma medida-padrão para a normalidade. “Considera-se normal, ou fisiológica, uma cólica de intensidade leve, com duração de um a dois dias, no início do ciclo ou um pouco antes”. Passou disso, é melhor se queixar ao ginecologista.
Ocorre que, dependendo das características da manifestação, ela pode ser indício da endometriose, doença que afeta um número cada vez maior de mulheres. Estima-se que seis milhões de brasileiras sofram com o desconforto e as dores provocadas por essa condição, que decorrem da implantação do tecido que reveste o interior do útero (o endométrio) em regiões vizinhas, como os ovários, as trompas, a bexiga e o espaço entre a vagina e o reto.
A teoria mais aceita para justificar a ocorrência, segundo especialistas, é a do refluxo da menstruação. De acordo com essa explicação, parte do sangue volta pelas trompas, em vez de ser escoada pela vagina, permitindo o depósito de células endometriais em outros órgãos, as quais, depois, se multiplicam e formam os focos, ou implantes, de endometriose. “Outra teoria, muito em voga, relaciona a doença com um desenvolvimento celular aberrante, fora do comum, que levaria à formação dos implantes fora do útero”. Muitos especialistas ainda apontam a existência de fatores genéticos, imunológicos e ambientais para o surgimento da condição.
Independentemente da origem, o fato é que esses focos crescem sob a ação dos hormônios e, a cada menstruação, sangram e inflamam a região em que estão instalados. Dói só em pensar nesse mecanismo.
Dor fora de hora
Como o limite entre uma cólica mais forte, decorrente da maior produção de prostaglandinas, e a dor gerada pela endometriose pode ser sutil, especialistas contam que os médicos costumam suspeitar da doença quando a mulher também se queixa de dores fora do período menstrual, sobretudo durante a ovulação, nas relações sexuais e até mesmo no momento de evacuar ou urinar. O diagnóstico, porém, exige a realização de alguns exames de imagem. “A ultra-sonografia transvaginal, feita com preparo intestinal anterior, e a ressonância magnética da pelve têm mais de 80% de eficácia em mulheres com endometriose pélvica”.
Uma vez identificados os implantes intrusos, o tratamento pode ser feito com medicamentos para amenizar a dor e reduzir o tamanho dos focos ou, então, com uma cirurgia minimamente invasiva para remover essas lesões: a videolaparoscopia (veja abaixo). A conduta escolhida vai depender bastante da faixa etária da mulher, dos sintomas referidos, da história prévia de cirurgias, do desejo de engravidar e da presença de outras doenças associadas.
Qualquer que seja o caminho terapêutico adotado, a prática regular de atividade física entra como um auxiliar eficiente do tratamento. O exercício aeróbico, afinal, faz o organismo liberar as famosas endorfinas, substâncias que produzem efeito analgésico e dão cabo do estresse, ajudando a prevenir a formação de novos focos. Se você estava precisando de um argumento forte o bastante para deixar a vida sedentária, não precisa mais procurar.
O que é videolaparoscopia?
A videolaparoscopia é uma técnica cirúrgica minimamente invasiva, usada atualmente para diversas intervenções abdominais. Através de três pequenos cortes, o cirurgião introduz uma microcâmera, que transmite as imagens do interior do abdome para um monitor de vídeo, e os instrumentais necessários para localizar e remover os focos de endometriose. O procedimento pode ser realizado em ambiente de hospital-dia, com alta em menos de 24 horas.
Fonte: NEC/LF/04/07/08
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